segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Metodologia Visual: Corpo, expressão e comunicação (performance)

No 5- semestre tivemos uma disciplina denominada de Metodologia Visual: Corpo, expressão e comunicação (performance) - todas as Quinta-feiras - ministrado pelos professores Sônia Garcia e Jaime Barradas. No decorrer do semestre trabalhamos muito o nosso corpo tanto teoricamente e/ou na prática, treinamos algumas linguagens corporais, principalmente em grupo.
Ítalo e Mauricio(aluno convidado)

Natália, Gabriel e Mauricio

Gabriel e Natália

ítalo, Arlete e Rubens

estes foram alguns exemplos de aulas que foram registradas, em que trabalhos nosso proprio corpo, com os colegas e objetos, culminando em produções individuais de vídeos-performances. Segue o link Infinito performance que foi o resultado performatico memorial da aluna Arlete Soed,

''Meu trabalho consiste em um vídeo performance autobiográfico, baseado em minhas memórias pessoais, segundo relatos de Roselle Goldberg é tida como uma das variações dentro da performance mais comum de serem vistas, ela define autobiografia como ‘’aparências e gestos, bem como a investigação analítica da linha sutil que separa a arte e a vida de um artista[...]’’ uma linha muito estreita entre o que é arte e a própria vida encenada do Performer , recorrendo a sua história de vida socializada em memórias coletivas. Meu vídeo parte do principio de sentimentos e lembranças de minha infância, dos meus medos, meus anseios e desejos, além de perdas e proteções exacerbadas; Através do vídeo, concretizo tais sentimentos, utilizando meu corpo como expressão em elemento principal. Santaella afirma que o corpo está em todos os lugares, em todas as áreas em todos os processos de corporificação, descorporificação e recorporificação ‘’[...]corpo está obsessivamente onipresente porque ele se tornou um dos sintomas de cultura do nosso tempo[...]’’ e em meu vídeo não seria diferente, o corpo, o meu corpo está presente direto e indiretamente.' 'Arlete Soed
Em sequência o da Natália,

''Escrever um memorial recordando minha infância é assunto que pouco me agrada, lembro-me muito pouco, finais de semana com meu pai e a semana inteira com minha mãe.
Quando eu era pequena, aproximadamente uns quatro anos, meus pais separaram-se e a vida não foi fácil. A mamãe cuidava de mim e da minha irmã e eu só via meu pai nos finais de semana, é o que me recordo.
Aproximadamente um ano depois da separação meu pai casou-se novamente e lembro-me que não o via quase todos os dias e a saudade que eu sentia dele não cabia em um final de semana mesmo assim tive que aprender a vê-lo apenas nos finais de semana, lembro-me que eu ajudava-o a arrumar e lavar o carro ouvindo Chico Buarque e João Bosco todos os domingos. Lembro-me também que de quatro filhos eu era a única que podia mexer na sua caixa de ferramenta, nos seus CDs, nos seus livros, era eu quem os organizava. Na caixa de ferramenta arrumava lugar pra cada parafuso, organizava-os por tamanho, o mesmo fazia com as chaves de fenda, com os alicates, era eu quem sabia o que tinha lá dentro e em que lugar estava. Lembro-me ainda, que nessa época eu pedi de maneira incessante a meu pai que construísse um escritório, o pedido demorou a se realizar mas quando tivemos o escritório pronto, fiz questão de pintar e arrumar lugar para cada prateleira que meu pai havia comprado. Lembro-me que havia um acervo de aproximadamente dois mil livros, eu os organizava por editora e escritor. Desde então quando eu e minha irmã íamos passar os finais de semana com meu pai era nesse escritório que eu ficava maior parte do tempo, foi minha permanência nesse “esconderijo” que me ajudou a não sofrer tantos maus tratos de minha madrasta e disso a minha irmã não conseguiu escapar.
Enfim, agradeço muito a meu pai, pois foi através dele que conheci Humberto Eco, Eneida de Moraes, Gastón Bachelard e li muitos clássicos da literatura. Até hoje sou eu quem tenho que ir pelo menos uma vez ao mês ao escritório pra por em ordem os livros que meu pai ainda guarda, livros de sua infância, de sua adolescência, de quando ele era revolucionário e queria mudar o país.
Por gostar de acompanhar meu pai sempre acabei assumindo responsabilidades, até hoje acredito que meu pai quer que eu seja ele, no gosto musical, na tranqüilidade, sempre aprendendo e sempre ensinando.
Eu recordo que meu pai sempre trabalhou muito e sempre era ele que pagava as contas, comprava roupas, sapatos, brinquedos e depois encaminhava os quatro filhos, nunca foi de lavar as louças, nem limpava a casa, mal sabe aquecer o pão espetado no garfo no fogão e ainda o deixa bem queimadinho.
Recordo-me que quando pequena li Estorvo do Chico Buarque, eu havia pedido permissão a meu pai, mas minha madrasta o atirou em cima do telhado e disse que eu tinha feito.
Hoje não moro mais com meus pais, tenho minha casa, Mas sempre que posso arranjo tempo para rir no sofá com meus irmãos e ele, como se fosse um feriado o fato de estarmos em família. Nunca o vi xingando. Praguejando. Cobrando. Pressionando. Transferindo culpas. A fatia do queijo era rala, mas o doce da goiabada sobrava.
Lá em casa cada um de nós cumpria uma tarefa: Dentro de mim, nunca fui sozinha. Se não tinha meu pai, havia meus irmãos, havia a telepatia do afeto.
Se não pude estar mais tempo perto de meu pai era porque minha madrasta dificultada e colocava proibições.
É complicado falar da infância, sem lembrar meu pai. Meu pai que é o pai, o irmão, o tio, o filho, o amigo, o conselheiro, o cara mais inteligente que eu conheço. O Otávio perfeito e completo.
Quero ser mãe observando meu pai.
Meu pai, nasceu com o dom de ser pai, ser pai não é instruir os filhos a lavar o carro, a fazer churrasco, a falar palavrão, a desenhar a letra, a namorar, a sair de uma desilusão. Não, não é isso. Ser pai é somente compreender e isso meu pai faz com tanta perfeição.
Quando pequena, sempre fazia travessuras e nas conversas com meu pai ele sempre ficava a me ouvir, ele se transformava na gente, mais do que seria capaz de escutar a sua própria voz.
O tempo foi passando e a cada dia, não somos nós que parecemos mais com ele, é ele que sem esforço, parece com a gente, com os quatro filhos, cada um a seu jeito.
Eu me esforço para merecê-lo. Tem horas que me pego cantarolando as canções que ouvíamos na minha infância, no caminho a faculdade, na faxina da casa, Calabouço do Sérgio Ricardo e Fado Tropical de Chico Buarque, ambas possuem tanto a cara de meu pai que desconheço os verdadeiros autores e me dá uma vontade de chorar e começar tudo de novo pelo prazer de assisti-lo.
No filme da minha infância, prefiro lembrar o que passei ao lado de meus pais e meus irmãos, no filme deles, eu não quero perder nem os trailers.
A maternidade é inata, a paternidade é adquirida.
Eu escolhi ser filha para ser cuidada por meus pais e hoje acabei sendo filha de meus irmãos também. Converso, brinco, ponho eles no degrau mais alto do meu peito, encontro uma liberdade que só existia antes em minha solidão.
Minha solidão está ensolarada com eles.'' Natália de Moraes

Segundo dados do curso, nossa Ementa rege este raciocínio.
''Ementa: Estudo teórico-prático sobre a corporeidade e suas possibilidades visuais-plásticas-midiáticas. O corpo e o movimento nas Artes. Construção de conhecimento por meio do corpo como expressão e comunicação.''

E durante o semestre tivemos como base algumas leituras, das quais citamos a baixo:
Bibliografia:
CONHEN, Renato. A Performance como linguagem. São Paulo: Perspectiva, 1980.
GOLDBERG, RoseLee. A Arte da performance: do futurismo ao presente. Tradução de Jefferson Luiz Camargo.
SANTAELLA, Lúcia. Cultura e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura.São Paulo: Paulus, 2003.

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